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As primeiras tentativas de dominar o Narcosul.

No começo do século 21 já haveria a primeira tentativa de tomada do tráfico no Mercosul sob os comandos de Beira-Mar.


Beira-Mar, na ocasião, orquestrou a morte de todo o clã Morel que, na época, eram os comandantes do tráfico de drogas na fronteira brasileira com o Paraguai. Possivelmente, a partir da desarticulação deste cartel, sobe ao poder regional Carlos Cabral, e mais tarde Jorge Rafaat.

Em Capitan Bado, zona fronteiriça com o Mato Grosso, ao mando de Beira-Mar, foram sequestrados e assassinados Ramon e Mauro Morel, a quarta geração do clã que comandava o tráfico ilegal na fronteira. Na época, Beira-Mar chegou a assumir o fato em uma entrevista ao jornal ABC paraguaio, afirmando que havia sido traído pelo clã através de delações que levaram a sequentes prisões de traficantes brasileiros do Comando Vermelho em terras paraguaias. Na semana seguinte dessa confissão pública, o Comando Vermelho mata o João Morel, chefe do clã, pai de Ramon e Mauro, a navalhadas no Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande. O assassinato foi assumido por um robô da facção, acusando um motivo torpe que não foi acreditado pela polícia: uma desavença motivada por uma peça de roupa.

O conhecido juiz Odilon de Oliveira, de Campo Grande, e o superintendente da PF, Wantuir Jacini Brasil, confirmam que a morte dos chefes do clã Morel foi sim a mando de Beira-Mar e do Comando Vermelho, como dito, fato assumido por Beira Mar em entrevista ao ABC, onde disse que Mauro e Ramon Morel haviam colaborado com a Policia Federal em troca de redução da pena do pai, João Morel. Beira-Mar acusava-os de dar informações que levaram, inclusive, a prisão de seu contador, Mário Amato Filho, e o racha teria sido inflamado pelo próprio jornalista da ABC paraguaia, Candido Figueiredo, que segundo Cabral recebia propina de todos os traficantes da região, e, na época, estaria extorquindo Cabral. Cabral não cedeu o dinheiro pedido, e Cândido aumentou a já existente guerra na fronteira.

Com essa queda, subiria ao centro do tráfico da região Carlos Cabral. O que não durou muito tempo. Em 2002, Cabral receberia uma ligação de seus policias pagos avisando que ocorreria uma batida oficial em sua fortaleza, situada na fronteira com o Mato Grosso, recomendando-o que escondesse suas armas.

A batida no entanto foi liderada por Douglas Ribeiro da Cunha, líder do PCC na fronteira, aos comandos de Beira-Mar do CV, com outros 20 homens armados. Em lugar da batida policial, houve uma chacina.

Os agentes policiais paraguaios Carlos Pereira, Ricardo Diaz e Francisco Resquim não só deram apoio logístico ao ataque como participaram da matança, invadindo a retaguarda da fortaleza enquanto os traficantes brasileiros atacavam o portão de entrada. O filho de 3 anos do líder paraguaio foi morto a tiros de fuzil, mas Carlos Cabral conseguiu escapar do tiroteio. Onze mortos contabilizados no ataque, nos dias seguintes seriam mais 21.

A ISTOÉ, Carlos Cabral afirmou “Foi uma cilada que contou com a participação da alta cúpula da polícia fronteiriça paraguaia ao custo de 650 mil dólares. O dinheiro foi entregue a Ramon Duret, vulgo Casimiro, homem de confiança de Douglas (PCC), na sede da DINAR em Pedro Juan Caballero”. Na mesma entrevista, Carlos Cabral afirma que não tinha mais forças para enfrentar o conluio PCC-CV, que já tentavam tomar a fronteira desde 1998 sob comando de Beira-Mar. Segundo ele, o que atraia os bandidos brasileiros para o Paraguai não era a maconha, mas a possibilidade de viverem tranquilos, planejando crimes como sequestros e assaltos a bancos, sem serem incomodados por policiais e autoridades facilmente subornáveis. “Aqui se pode comprar e levar ao Brasil fuzis, metralhadoras e todo tipo de armas. Enquanto esse paraíso estiver intocado, não adianta a PF render 30 bandidos do PCC ou da turma do Beira-Mar na fronteira. Imediatamente vão surgir outros 60”.

Cabral afirmou que vários foragidos brasileiros participaram da invasão a sua fortaleza, entre eles o assaltante Lobinho, recrutado em Presidente Bernardes (SP), e os traficantes Valfrido Gimenezes e José Elias do Amaral, o Bagual, que, segundo Cabral, controla o Grupo de Operações Especiais (GOE) da PM do Mato Grosso do Sul. Além de participar do massacre, o GOE é acusado por entidades dos direitos humanos de fazer execuções a mando de fazendeiros na região.

O chefe da PF em Ponta Porã, delegado Bráulio Galone, diz que o massacre teria então sido articulado por Douglas e outros traficantes locais que estavam contrariados com a expansão de Cabral, que organizara o tráfico da região tentando expulsar os brasileiros mandados por Beira-Mar após a morte dos Morel”. Segundo o próprio delegado brasileiro, a chacina na fortaleza de Cabral teria sido auxiliada até por um helicóptero da polícia paraguaia. “No Paraguai, a maioria dos policiais está a serviço dos traficantes”, afirma Bráulio.

O Superintendente da PF no Mato Grosso do Sul, Wantuir Jacini, afirmou que a invasão brasileira ao Paraguai levou uma onda de violência e rivalidade até então inédita. Comandados por João Morel, os traficantes trabalhavam em regime de consórcio, repartindo os negócios. Conta Carlos Cabral que fora o próprio João Morel quem introduziu Beira-Mar no tráfico paraguaio. Segundo Cabral, a região de Capitán Brado produzia trimestralmente 200 toneladas de maconha, mais da metade da safra serviria para alimentar o tráfico de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Sobre Cândido Figueiredo.

Na ocasião, quando procurado pela revista ISTOÉ, Cândido Figueiredo afirmou que nunca recebera dinheiro de Carlos Cabral. No entanto, ironicamente, o mesmo falou como lidava com os subornos: “recebo o dinheiro e entrego tudo aos hospitais, mas, antes, denuncio no jornal”.

O jornalista andava escoltado por ser alvo de ameaças constantes. Seu escritório era decorado com ossadas humanas encontradas na fronteira. Além de receber a ligação direta de Beira-Mar quando assumiu os assassinatos da família Morel, o jornalista era frequentemente visto conversando com políticos e traficantes, como Jorge Rafaat, vulgo “rei do tráfico da fronteira”, que há pouco tempo foi assassinado pelo conjunto PCC-CV.


Em entrevista, Candido afirma já ter recebido propostas de Beira-Mar:

“Fiz uma matéria com ele quando ainda estava na clandestinidade. Ele gostou muito e disse: “Sempre um jornalista escreve mais do que eu falo. Mas você escreveu só o que eu falei. Então, quero te premiar. Diga a quantia”. Respondi que queria outra coisa: uma entrevista pessoalmente. Ele não podia fazer isso naquela época, mas foi pego na Colômbia, preso, e voltou para o Brasil. Ele me deu uma entrevista na carceragem da polícia federal em Brasília.”

https://congressoabraji2012.wordpress.com/entrevistas/candido-figueredo-jornal-abc-color/

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